O Vestido Vermelho e o Convite

A woman in a red dress looks longingly at her phone, fingers trembling on the silk.

# Tensão no Ar O apartamento estava silencioso quando Bruno chegou, o cansaço do dia pesando em seus ombros largos. Ele afrouxou a gravata, sentindo a necessidade de algo mais. Pegou o celular e digitou para Marina: *"Pensando em você ago

Capítulo 1

O apartamento estava silencioso quando Bruno chegou, o cansaço do dia pesando em seus ombros largos. Ele afrouxou a gravata, sentindo a necessidade de algo mais.

Pegou o celular e digitou para Marina: *"Pensando em você agora... nesse vestido vermelho que usei na semana passada. Lembra como me olhou?"*

A resposta veio rápida, hesitante: *"Lembro... você me deixou sem ar."*

Bruno sorriu, sentindo o formigamento familiar percorrer seu corpo. *"Quero ver você agora. Me manda uma foto?"*

Marina hesitou, as bochechas sardentas corando mesmo sozinha no quarto. Mas havia algo na seriedade de Bruno que a fazia obedecer, aquele frio na barriga que ela temia e desejava ao mesmo tempo.

A foto chegou — seus cachos ruivos emoldurando o rosto, as covinhas tímidas aparecendo.

*"Linda. Mas quero mais. Tira o vestido para mim."*

Os dedos de Marina tremeram enquanto ela obedecia, o tecido deslizando por suas curvas enquanto uma nova onda de calor a envolvia.


Capítulo 2

A tela brilhou: *“Tira. Quero ver seus peitos agora.”*
O coração de Marina disparou — um medo adocicado que sempre a fazia obedecer. Deixou o sutiã deslizar, os seios fartos aparecendo, os mamilos já duros de antecipação.

Ela fotografou a própria pele sardenta e enviou, os dedos trêmulos. Segundos depois, a resposta de Bruno: *“Bela putinha. Agora passa a mão aí, bem devagar, e me conta o que sente.”*

O comando era inegociável. Com a respiração presa, ela deslizou a ponta dos dedos pelo mamilo esquerdo, um choque elétrico descendo até a buceta. “Tá… tá pegando fogo, Bruno”, digitou, as palavras falhas.

*“Mais embaixo. Passa a mão na buceta. Já deve estar molhada.”*

Ela gemeu baixinho, o toque encontrando a umidade entre as coxas. Enquanto isso, do outro lado da cidade, Bruno afrouxou o cinto, tirou o pau latejante para fora e começou a se acariciar, os olhos fixos naquela foto da esposa submissa.

*“Enfia dois dedos. Bem fundo, devagar. E me manda um áudio. Quero ouvir seu gemido.”*

Marina obedeceu, os dedos entrando na carne quente, o som que escapou dos lábios um misto de súplica e vergonha. O áudio chegou — úmido, urgente. Bruno gemeu também, sentindo a pressão subir. “Tá quase, meu amor. Vai gozar junto comigo. Goza agora.”

Ela se entregou ao ritmo frenético que ele impunha, os dedos martelando o ponto exato, o mundo se estreitando ao prazer agudo. “Bruno… não aguento…” — mas ele ordenou de novo, e o corpo explodiu em espasmos, ondas de calor a arrastarem num grito abafado. Bruno veio logo atrás, a porra quente espirrando contra a própria barriga enquanto ouvia o clímax dela pelo telefone.

Silêncio. Apenas respirações ofegantes. Então a última mensagem: *“Boa menina. Descansa. Eu cuido de você.”*


Capítulo 3

O celular vibrou na mão trêmula de Marina. A mensagem de Bruno brilhou na tela, cada palavra uma ordem que fazia seu estômago se contrair.

*"Vou chegar em vinte minutos. Quero você de quatro na cama, com esse cu já lubrificado. Vou esquentar o óleo nas mãos antes de enfiar em você — bem devagar no começo, só a cabecinha, até você pedir mais. Depois vou segurar seus quadris com força, os dedos marcando essa pele sardenta, e meter até as bolas baterem na sua bunda. Você vai sentir cada centímetro latejando dentro de você."*

Ela prendeu a respiração, o medo se misturando ao pulso acelerado entre as pernas. Digitou com dedos hesitantes: *"Sim, Bruno… já vou me preparar."*

A resposta veio seca: *"Quero sentir você aberta. Usa dois dedos. Bem fundo. E geme para mim."*

Marina se moveu até a cama, o coração martelando no peito. Pegou o lubrificante na gaveta e aqueceu uma quantidade generosa na palma da mão, o cheiro adocicado invadindo o quarto. Deitou-se de lado, os cachos ruivos caindo sobre o rosto corado, e deslizou a mão úmida entre as nádegas.

"Tá… tá entrando", murmurou, a voz embargada, enquanto o primeiro dedo forçava a entrada apertada. Gemeu baixinho, um som que era quase um pedido de desculpas. O segundo dedo a fez arquear as costas, a sensação de preenchimento ardendo e acendendo algo mais fundo.

Gravei o áudio e enviou, os lábios entreabertos, imaginando Bruno ouvindo enquanto dirigia. Ele respondeu com apenas uma palavra: *"Boa menina."*

Os minutos passaram. A fechadura estalou. E quando Bruno entrou no quarto, os olhos sérios fixos nela, Marina já estava de quatro, os dedos ainda enterrados em si mesma, a bunda arrebitada, o medo e o desejo a deixando mais molhada do que nunca.


Capítulo 4

Marina parou diante da porta do apartamento de Bruno, o coração martelando tão forte que sentia o pulso nas têmporas. Ele não sabia que ela viria. A chave reserva pesava na palma suada.

Ela girou a fechadura devagar, o clique ecoando no silêncio do corredor. A porta rangeu ao abrir. Bruno estava na cozinha, de costas, mexendo uma panela. O cheiro de molho de tomate dominava o ambiente.

"Marina?" Ele virou, os olhos escuros surpresos, depois sérios. "O que está fazendo aqui?"

"Eu... eu precisava te ver." Ela deu um passo à frente, os cachos ruivos caindo sobre o rosto sardento. "Você mandou aquelas mensagens e..."

Bruno desligou o fogo sem desviar o olhar. "E você veio até aqui de surpresa, que nem uma putinha obediente?"

Ela assentiu, as bochechas corando. "Sim, senhor."

Ele atravessou a cozinha em três passos largos, a pegou pelos quadris e a ergueu sobre a mesa de jantar. Os pratos tremeram. "Então vamos ver o quanto você quer."

Bruno rasgou a blusa dela com uma só puxada, os botões voando. Os seios fartos saltaram, os mamilos já rijos. Ele chupou um deles com força, a mão descendo para abrir a calça dela. Marina gemeu alto, as unhas cravadas na nuca dele.

"Tira tudo", ordenou, e ela obedeceu, as roupas caindo no chão de madeira. Ele a empurrou de costas sobre a mesa fria, abriu as coxas dela com os joelhos e enfiou dois dedos na buceta molhada. "Olha como você está encharcada. Isso é só por mim?"

"Só você, Bruno... só você me deixa assim..."

Ele levou os dedos aos lábios e lambeu, os olhos fixos nela. "Gosto do seu mel." Então desabotoou a própria calça, liberando o pau duro e latejante. "Vou te foder nessa mesa primeiro. Depois te como de quatro na cama."

Marina estremeceu de antecipação, as pernas abertas, a buceta exposta e pulsando. "Por favor, Bruno... me fode."

Ele segurou o pau na entrada e empurrou de uma vez, a grossura a preenchendo até o fundo. O grito dela se misturou ao gemido rouco dele. "Caralho, como você aperta gostoso."

Ele meteu forte, a mesa rangendo sob o peso, os pratos tremendo. Marina agarrou as bordas, os dedos brancos de tensão. "Não para... não para..."

"Você gosta da minha pica na sua buceta, sua vadia?" Ele a puxou pelos cabelos, os quadris batendo contra os dela. "Responde."

"Gosto... gosto muito... me fode, Bruno, me fode mais forte..."

Bruno a virou de bruços na mesa, a bunda empinada, e meteu de novo, as bolas batendo contra a carne sardenta. A mesa balançava, o suor escorrendo entre os corpos. "Agora você vai gozar na minha pica, me dá esse orgasmo, Marina."

O corpo dela estremeceu, a pressão explodindo em ondas quentes que a percorreram inteira. "Tô gozando... Bruno... porra, gozei..."

Ele se enterrou até o fundo e veio junto, a porra quente jorrando dentro dela enquanto gemia o nome dela. "Marina... porra... minha menina..."

Eles ficaram ali, ofegantes, colados um no outro. Então Bruno a pegou no colo e sussurrou: "Agora vou te levar para a cama e te comer de quatro, devagar. Quero te ver desmanchar de novo."

Ela sorriu, exausta e entregue. "Me leva, Bruno. Me leva para a cama."


Capítulo 5

Bruno a carregou até a cama, os corpos ainda úmidos de suor e prazer. Ele a depositou sobre os lençóis bagunçados e, sem cerimônia, a virou de bruços. As mãos grandes agarraram os pulsos dela, imobilizando-os contra o colchão. O hálito quente roçou seu ouvido:

"Agora é minha vez."

Marina estremeceu, o medo adocicado a percorrer inteira. "Bruno... vai devagar..."

"Você já se preparou para mim, não foi?" Ele lambeu a curva do pescoço dela, a voz rouca. "Meteu dois dedos nesse cu apertadinho enquanto eu dirigia para casa."

"Sim, senhor..." O gemido saiu trêmulo.

"Então me dá ele. Quero sentir como você fica molhada quando eu te como por trás."

Ele soltou os pulsos apenas para ajeitar o pau duro na entrada apertada. A cabecinha pressionou o anel de músculo, e Marina arquejou. Bruno empurrou devagar, centímetro por centímetro, a grossura a abrindo.

"Olha para mim," ordenou, e ela virou o rosto, as bochechas sardentas molhadas de lágrimas. "Tá doendo?"

"Tá... mas tá bom... não para..."

Ele sorriu, os dentes mordendo de leve o ombro dela. "Você é minha putinha obediente. Agora geme para mim."

Comecou a meter, lento e profundo, cada investida a preencher o espaço mais íntimo dela. Os quadris batiam contra a bunda farta, a cama rangendo no ritmo. Marina gemia alto, os dedos agarrando os lençois.

"Mais forte, Bruno... me fode mais forte..."

"Assim?" Ele acelerou, o pau a martelar o cu apertado, as bolas batendo com força. "Você gosta da minha pica no seu cu, sua vadia?"

"Goosto... goosto muito... não para... por favor..."

O orgasmo a atingiu como uma onda, os músculos internos a pulsarem em volta dele. Bruno gemeu rouco, enterrando-se até o fundo enquanto a porra quente jorrava dentro dela.

"Caralho, Marina..." Ele desabou sobre as costas dela, ofegante. "Você é perfeita."

Ficaram ali, colados, até a respiração acalmar. Então Bruno a puxou para o peito, os dedos a traçar círculos suaves na pele sardenta. "Descança. Eu cuido de você."


Capítulo 6

Bruno a ergueu nos braços como se ela não pesasse nada. Marina aninhou o rosto no pescoço dele, ainda trêmula.

"Você merece um banho quente", murmurou ele, os lábios roçando os cabelos ruivos dela.

O vapor subia da jacuzzi quando ele entrou no banheiro. Com cuidado, depositou-a dentro da água perfumada e acomodou-se atrás dela, as costas dela contra seu peito largo.

"Deixa eu cuidar de você agora."

Ele pegou o sabonete líquido, esfregando as mãos grandes até formar espuma branca e macia. Começou pelos ombros dela, os polegares pressionando os nós de tensão com movimentos circulares.

"Assim tá bom?", perguntou baixinho.

Marina suspirou, os olhos fechados. "Perfeito... não para não..."

As mãos ensaboadas deslizaram pelos braços dela até alcançar os dedos entrelaçados. Ele lavou cada espaço entre eles com delicadeza exagerada.

"Nunca ninguém me deu banho assim", ela confessou, virando levemente o rosto.

"Então eu sou o primeiro?"

"Sempre foi o primeiro em tudo importante."

Ele sorriu contra a nuca sardenta enquanto as mãos rodeavam as curvas dos seios dela por baixo da água — sem urgência agora, apenas ternura líquida.

"Amo cada marca no seu corpo", disse Bruno enquanto seus dedos traçavam as covinhas nas bochechas dela antes de escorregarem pela barriga macia até onde as coxas se encontravam debaixo d'água borbulhante.

Ela gemeu baixinho quando os dedos dele encontraram seu ponto mais sensível — ainda inchado do prazer anterior — massageando devagar até que ondas quentes percorressem todo seu ventre novamente num orgasmo suave que dissolveu qualquer resto de tensão entre eles dois ali naquele banho demorado onde só existiam carícias mornas e palavras murmuradas contra peles molhadas."


Capítulo 7

Bruno puxou Marina para fora da água, envolvendo-a numa toalha felpuda antes que o ar frio a tocasse.

"Vem cá."

Ele a secou devagar — os ombros, os braços, as costas, cada curva recebendo atenção como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

"Você me olha como se eu fosse de porcelana", ela sussurrou.

"Você é mais forte do que parece. Mas hoje eu quero te tratar assim."

Marina sentiu o tecido descer pelas pernas, absorvendo as gotas. Quando ele se ajoelhou para secar seus tornozelos, ela prendeu a respiração.

"Ninguém nunca fez isso por mim."

Bruno ergueu o rosto, os olhos sérios. "Então deixa eu ser o único."

Ele a guiou até a penteadeira. Sentada no banquinho, Marina observou pelo espelho enquanto Bruno pegava a escova de madeira.

"Posso?"

Ela assentiu.

Os fios ruivos estavam úmidos, e ele começou pelas pontas, desembaraçando com uma paciência que desmentia sua imponência. Cada passada da escova parecia uma carícia no couro cabeludo.

"Isso é melhor do que qualquer coisa", ela murmurou, os olhos fechados.

Bruno sorriu, separando as ondas com os dedos. "Seu cabelo é lindo assim. Molhado, selvagem."

"Selvagem eu não sou."

"É sim. Só esconde isso."

Ele terminou de pentear e inclinou-se, beijando-lhe a nuca. Marina estremeceu.

"Obrigada", ela sussurrou.

"Por quê?"

"Por me fazer sentir... vista. Inteira."

Bruno girou o banquinho, fazendo-a encará-lo. Segurou-lhe o rosto entre as mãos, os polegares acariciando as sardas.

"Eu te vejo, Marina. E hoje quero te amar devagar."

O beijo que se seguiu foi lento, profundo, como uma promessa. E quando ele a ergueu novamente, não havia pressa — apenas o desejo de fazê-la sentir cada segundo.

Na cama, Bruno a deitou com cuidado, cobrindo-lhe o corpo com o seu. Os lábios dele percorreram a pele dela com adoração, e Marina sussurrou o nome dele como uma prece.

"Bruno... por favor..."

"O quê, meu amor?"

"Me ama. Agora."

Ele a penetrou com uma lentidão que arrancou gemidos de ambos. Cada movimento era um reencontro, cada embalo os aproximava mais. Marina entrelaçou os dedos nos cabelos dele, puxando-o para um beijo quebrado.

"Estou tão perto..."

"Deixa vir. Estou com você."

Ela se desfez primeiro, ondas de prazer a inundarem enquanto Bruno a segurava firme. Pouco depois, ele se entregou também, um gemido rouco contra o pescoço dela.

Ficaram abraçados, o coração de ambos desacelerando aos poucos. Bruno afagou os cabelos dela, sorrindo.

"Eu te amo, Marina."

Ela fechou os olhos, uma lágrima escapando. "Eu sei. E eu sempre te amei."


Capítulo 8

O celular vibrou na cabeceira — zumbido insistente que arrancou Marina do sono leve. Ela se espreguiçou, o corpo ainda aninhado contra Bruno, e pegou o aparelho sem pensar.

A tela estava iluminada. Uma mensagem de *Letícia*.

"Tô livre hoje depois das 22h. Mesmo lugar? Aquele quarto com espelho..."

Marina sentiu o estômago despencar.

Ela se levantou num movimento brusco, a respiração presa na garganta. A toalha que ele a envolvera horas antes estava caída no chão — ela a agarrou, cobrindo-se.

"Bruno."

A voz saiu trêmula, mas os olhos estavam incendiados. Ele não se mexeu.

"Bruno!" Ela o sacudiu pelo ombro.

Ele abriu os olhos devagar, ainda nublado pelo sono. "Que foi? Aconteceu algo?"

"Isso." Ela jogou o celular na cama, ao lado dele. "Lê isso aqui."

Bruno pegou o aparelho, franziu a testa. O silêncio que se seguiu foi pior do que qualquer palavra.

"Quem é Letícia?" A voz dela tremia agora de fúria contida. "E que quarto com espelho é esse?"

"Marina..."

"Não me enrola." Ela cruzou os braços sobre o peito, os cachos ruivos caindo desordenados sobre os ombros. "Eu acabei de acordar e ver isso. Você ia me contar?"

Ele se sentou na cama, passando a mão pelo cabelo. O rosto sério, impossível de decifrar.

"Posso explicar."

"Então explica."


Capítulo 9

Bruno levantou-se, o lençol ainda preso na cintura. "Letícia é minha amiga. Só isso."

Marina soltou uma risada curta, amarga. "Amiga? Depois dessa mensagem?" Ela já puxava uma calça jeans do armário, vestindo-a com movimentos bruscos.

"Você está enganada", ele insistiu, a voz calma demais. "Não é o que parece."

"Então me explica o que parece." Ela enfiou uma blusa qualquer, os dedos trêmulos nos botões. "Que quarto é esse? Por que ela fala como se fosse... íntimo?"

Bruno deu um passo na direção dela. "Marina..."

"Não." Ela recuou, pegando a bolsa. "Não me toca agora."

O silêncio entre eles ficou denso. Ele passou a mão pelo rosto, o maxilar tenso.

"Letícia não é nada hoje. Mas já foi." A confissão saiu baixa, quase um sussurro. "Antes de você. Muito antes."

Marina parou com a mão na maçaneta. Virou-se lentamente.

"Ela era sua amante?"

Bruno encontrou os olhos dela. Não desviou. "Foi."

A porta se abriu num rangido, e o corredor do apartamento pareceu engolir todo o ar que restava entre eles.


Capítulo 10

Marina girou a maçaneta, mas os braços de Bruno a envolveram antes que ela pudesse abrir a porta. Ele a ergueu do chão com facilidade, ignorando seus protestos.

"Me solta!" Ela se debateu, as pernas chutando o ar.

"Não." A voz dele estava abafada contra seus cabelos. "Não vou deixar você ir embora assim."

Marina tentou empurrar o peito dele, mas era como lutar contra uma parede. Bruno caminhou de volta pelo corredor, carregando-a como se ela não pesasse nada.

"Você não pode simplesmente me impedir de sair", ela disse, a raiva misturada com algo mais na voz.

"Posso. E vou." Ele entrou no quarto com ela ainda nos braços. "Porque se você sair agora, não vai mais voltar."

Ele a depositou na cama com cuidado, mas ficou parado entre ela e a porta. Marina se sentou, os olhos vermelhos e inchados.

"Estou arrependido", ele disse baixinho. "Devia ter te contado sobre Letícia antes de você descobrir daquele jeito."

"Devia mesmo." A voz dela saiu embargada.

Bruno se sentou ao seu lado na cama, mantendo distância respeitosa.

"Não foi nada recente. Terminou antes de eu conhecer você." Ele passou a mão pelo rosto cansado. "Ela mandou aquela mensagem do nada ontem. Eu nem respondi."

Marina desviou o olhar para a janela escura.

"Por que eu deveria acreditar em você agora?"


Capítulo 11

Marina se levantou da cama, os olhos ainda úmidos. "Preciso de ar. Preciso pensar."

Ela deu dois passos em direção à porta, mas Bruno se moveu mais rápido. Sua mão fechou suavemente em torno do braço dela, firme mas sem machucar.

"Espera", ele pediu, a voz mais baixa agora.

"Bruno, por favor..." Ela tentou se soltar, mas ele a puxou de volta, o corpo dele bloqueando a passagem.

"Não vou te obrigar a ficar." Ele respirou fundo. "Mas antes de você ir, precisa saber de uma coisa."

Marina ergueu o rosto para encará-lo, as sobrancelhas franzidas.

Ele se inclinou, os lábios quase tocando a orelha dela. O hálito quente fez Marina estremecer.

"Letícia está me perseguindo", ele sussurrou. "Ela não aceitou o fim. Manda mensagens, aparece nos lugares onde estou. Ontem me seguiu até a garagem do prédio."

Marina ficou imóvel, o coração acelerado.

"Por que não me contou antes?"

"Porque eu queria te proteger." Bruno afastou-se o suficiente para olhar nos olhos dela. "Achei que conseguiria resolver sozinho. Fui idiota."

O silêncio entre eles se esticou por um instante. Marina sentiu a raiva começar a se transformar em outra coisa — uma pontada de compreensão misturada com medo.

"Ela é perigosa?"

"Pode ser." Bruno tocou o rosto de Marina com a ponta dos dedos. "E é por isso que eu não queria que você saísse agora. Não sem saber a verdade toda."

Marina baixou os olhos para as mãos dele, ainda segurando seu braço com delicadeza. Algo dentro dela cedeu, uma pequena fresta na muralha de mágoa que ela havia erguido.

"Me conta tudo", ela pediu, a voz já menos trêmula. "Do começo."


Capítulo 12

Bruno a conduziu de volta para o quarto, o peito nu subindo e descendo num ritmo que ele lutava para controlar. Sentou-se na beirada da cama e puxou Marina para perto, os braços envolvendo-a num casulo quente.

"Respira comigo", ele sussurrou contra os cabelos ruivos dela. "Assim."

Marina sentiu o peito dele contra sua bochecha, o coração martelando tão rápido quanto o seu. Fechou os olhos e tentou acompanhar o ritmo que ele impunha — inspirar, segurar, soltar.

"Eu tive medo de te perder", Bruno continuou, a voz abafada. "Mas agora tenho mais medo ainda de que ela tente te machucar."

"Não sou fraca, Bruno." A voz de Marina saiu mais firme do que ela esperava.

"Eu sei que não é." Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. "Mas a Letícia não joga limpo. E eu preciso que você fique atenta. Por nós dois."

Os dedos dele traçaram círculos lentos nas costas dela, um gesto que era mais âncora do que carícia. O apartamento mergulhou num silêncio tão denso que Marina podia ouvir o zumbido da geladeira na cozinha distante.

"O que a gente faz agora?", ela perguntou por fim.

"Primeiro, bloqueamos todos os números dela no seu celular também." Bruno segurou o rosto de Marina entre as mãos. "Depois... a gente se mantém junto. Sem segredos dessa vez."

Ela assentiu devagar, sentindo algo dentro do peito se deslocar — não era perdão ainda, mas já não era mais fúria.

Os corações de ambos batiam compassados agora, dois tambores abafados na penumbra do quarto.


Capítulo 13

A manhã chegou com uma luz pálida que não combinava com o peso no peito de Marina. Ela preparou o café como sempre fazia, os gestos mecânicos de quem já não estava mais ali.

"Quer que eu te leve ao trabalho?", Bruno perguntou, a voz carregada de uma esperança que ele mal conseguia disfarçar.

"Não precisa. Vou de ônibus hoje."

Ele franziu a testa. "Tem certeza? Posso te buscar depois também."

Marina sorriu — aquele sorriso que não chegava aos olhos. "Vai dar tudo certo. A gente se fala mais tarde."

O beijo de despedida foi rápido, seco. Bruno sentiu o gosto da distância, mas deixou passar. Ele precisava acreditar que o tempo curaria aquela fissura.

No trabalho, Marina não conseguiu abrir um único e-mail. As palavras de Bruno ecoavam, mas não bastavam. *Me desculpa. Eu devia ter contado.* Frases perfeitas demais, ensaiadas demais.

Ao meio-dia, pegou sua bolsa e saiu. Não foi para casa. Não foi para lugar nenhum que ele pudesse encontrar.

O celular vibrou às 14h. "Amor, passei na sua empresa. Disseram que você saiu mais cedo. Tá tudo bem?"

Depois às 15h. "Marina, por favor, me responde."

Às 16h, a ligação caiu na caixa postal. Bruno já não controlava o tremor nas mãos.

"Marina, onde você está? Eu preciso saber que você está bem." A voz dele saiu embargada. "Por favor... não faz isso comigo."

Mas o apartamento vazio foi a única resposta que ele recebeu quando chegou em casa, os armários dela intactos, o silêncio gritando mais alto que qualquer palavra.


Capítulo 14

Os dias seguintes foram um borrão de silêncio e frustração. Bruno mandava mensagens que nunca chegavam a lugar nenhum, ligava para um número que só chamava até cair na caixa postal. O escritório virou um lugar onde ele passava horas olhando para a tela sem enxergar nada.

Uma semana depois, o apartamento já não cheirava a café fresco. Cheirava a cigarro e uísque barato. As garrafas se acumulavam na pia, os cinzeiros transbordavam no parapeito da janela. Ele dormia de roupa, quando dormia, e acordava com o peito pesado de uma ausência que não sabia nomear.

Naquela noite, os amigos o arrastaram para o bar. Beberam, riram de coisas que Bruno não ouvia. Ele só bebia, tragava a fumaça como se pudesse preencher o vazio no peito. Quando voltou para casa, as paredes giravam.

Tropeçou no tapete da sala, apoiou-se na mesa onde um dia Marina preparara o jantar. O silêncio doía. Ele fechou os olhos e a viu — os cachos ruivos, as covinhas, o cheiro dela.

Então, sem pensar, Bruno gritou. Um grito rouco, rasgado, que saiu do fundo da alma. “Marina!” O nome ecoou pelo apartamento vazio. Ele caiu de joelhos, a voz embargada, chamando por ela como se pudesse trazê-la de volta só com a força do desespero.


Capítulo 15

O grito ainda ecoava quando a campainha soou. Bruno levantou-se trôpego, enxugando o rosto com a manga da camisa amassada. "Marina?" murmurou, com uma esperança patética que morreu assim que abriu a porta.

Letícia estava parada ali — vestido preto colado ao corpo esguio, um sorriso calculado nos lábios carnudos.

"O que você quer?" A voz dele saiu pastosa.

"Você me ignorou por semanas." Ela entrou sem convite, os saltos estalando no piso de madeira. "Achei que merecia uma explicação pessoalmente."

Bruno recuou. "Some daqui."

Mas Letícia avançou. Os dedos deslizaram pelo peito dele. "Ela te deixou... eu posso te consolar." A mão desceu pelo abdômen. "Você sempre gostou do meu jeito."

"Para." Ele agarrou o pulso dela.

Ela riu baixo e se esfregou nele. "Tá nervoso? A culpa passa rápido... Posso fazer você esquecer aquela ruivinha." Os lábios roçaram o pescoço dele enquanto os dedos apertavam seu pau por cima da calça.

O corpo de Bruno respondeu antes da mente — mas um segundo depois a náusea veio forte. Não era tesão; era repulsa.

"Sai!" Empurrou-a pelos ombros.

Letícia recuperou o equilíbrio e cuspiu: "Ela não vai voltar! Você sabe disso!"

"Calada!" O estalo foi seco. As costas da mão acertaram a bochecha dela com força suficiente para virar seu rosto.

Letícia cambaleou para trás levando os dedos à pele avermelhada enquanto seus olhos lacrimejavam mais de raiva do que de dor.

Bruno tremia — mas estava lúcido agora cada músculo tenso como animal encurralado: "Se aparecer aqui de novo," sua voz baixa não deixava margem para dúvida "eu chamo a polícia."

Ela hesitou recolhendo o orgulho ferido antes de ir embora batendo furiosamente os saltos pelo corredor deixando apenas silêncio pesado atrás de si — onde Bruno permaneceu encostado na parede ofegante sentindo pela primeira vez em dias algo além da falta imensa que Marina havia cavado dentro dele: alívio amargo misturado ao gosto metálico do próprio descontrole pulsando ainda na mão direita


Capítulo 16

A garrafa de licor de limão seco tilintou contra o copo enquanto Bruno despejava uma dose generosa. O aroma cítrico e ardente preencheu a cozinha, misturando-se ao cheiro do cigarro que queimava entre seus dedos.

"Talvez assim o dia passe mais rápido", murmurou para o silêncio do apartamento.

Ele tragou a fumaça com uma careta — fazia anos que não fumava. Mas Marina odiava o cheiro. Agora, não havia ninguém para reclamar.

Ajeitou a gravata diante do espelho, os olhos ainda vermelhos da noite anterior. O reflexo devolvia um homem que ele mal reconhecia.

"Para que estou me arrumando mesmo?"

A pergunta ficou sem resposta. Ele apagou o cigarro, tomou o resto do licor e pegou as chaves do carro. O escritório talvez fosse uma distração. Mas, no fundo, Bruno sabia que seguiria sem destino.

Sem ela.


Capítulo 17

O relógio marcava meia-noite quando Bruno entrou no apartamento, a garrafa de vinho que os amigos haviam insistido para ele levar pesando na mão como se carregasse o peso do próprio silêncio. Soltou as chaves na mesinha da entrada e se deixou cair no sofá da sala, sem acender as luzes. A penumbra parecia mais honesta.

Os dedos encontraram o maço no bolso — um hábito dos últimos dias que ele sabia que Marina odiaria. Tirou um cigarro, girou-o entre os dedos, o filtro ainda seco.

Antes que pudesse acendê-lo, três batidas secas na porta.

Bruno levantou num impulso, o cigarro esquecido entre os lábios. *Letícia*, pensou, o estômago apertando. Ele não tinha forças para mais um confronto. Mas quando abriu a porta, o ar sumiu dos pulmões.

Marina estava ali. O rosto sardento iluminado apenas pela luz fraca do corredor, os cachos ruivos presos num coque frouxo, a boca sem a covinha do sorriso. Fria, seca, distante.

— Vim pegar as minhas coisas.

A voz dela não embargou. Bruno ficou parado, a mão na maçaneta, o cigarro ainda no canto da boca.

— Marina... — a palavra saiu baixa, rouca.

— Não precisa de cena, Bruno. Só deixe eu entrar, pego tudo e vou embora.

Ele recuou um passo, o gesto mecânico, o corpo anestesiado. Ela passou por ele sem tocá-lo, o perfume de baunilha que ela usava deixando um rastro impossível de ignorar, e se dirigiu ao quarto.

— Você começou a fumar? — a pergunta veio sem olhar para trás, com um desgosto que não era raiva, só... cansaço.

— Desculpa. Perdi alguns hábitos, ganhei outros.

Marina abriu a porta do quarto e ficou parada, as mãos nos quadris, avaliando o espaço que um dia foi deles.

— Pode levar só o essencial — disse Bruno, encostado na porta, os olhos percorrendo-a como se tentasse decorar cada detalhe antes que desaparecesse. — O resto fica aqui. Não suporto mexer.

Ela se virou devagar, os olhos azuis encontrando os dele pela primeira vez.

— Isso é justo. Mas não sou eu que estou me punindo, Bruno.

— Não estou me punindo. — Ele passou a mão pelo rosto. — Estou vivendo de um jeito que você odiaria. Talvez porque odeio estar aqui sem você.

O silêncio cresceu entre eles, espesso. Marina piscou, desviando o olhar para a janela.

— Vim pegar minhas coisas — repetiu, mais baixo. — Só isso.

— Então pegue.

Mas nenhum dos dois se moveu. O cigarro apagado continuava entre os dedos de Bruno, e o quarto escuro guardava a lembrança de tantas noites em que ele a tivera nos braços. Agora, a distância de três passos parecia impossível de atravessar.


Capítulo 18

Bruno permaneceu encostado no batente da porta, os braços cruzados sobre o peito, enquanto Marina abria o armário com movimentos precisos, quase mecânicos. Ela pegou uma mala vazia no fundo do closet e a jogou sobre a cama.

— Onde você estava? — A pergunta saiu mais áspera do que ele pretendia.

Marina não levantou os olhos das gavetas. Dobrava blusas com uma calma que parecia ensaiada.

— Em um lugar seguro. É o que importa.

— Ficou com alguém? Na casa dos seus pais?

Ela soltou um riso curto, sem humor, enquanto enfiava as roupas na mala.

— Por que a curiosidade agora, Bruno? Não bastaram as mensagens da Letícia para te distrair?

O nome da ex pairou no quarto como fumaça velha. Bruno apertou os maxilares, sentindo o corte da ironia dela.

— Você sabe que não teve nada. Eu te expliquei.

— Explicou. — Marina fechou a primeira mala com um estalo seco e puxou outra, menor, para os sapatos. — E eu ouvi. A questão nunca foi o que você disse. Foi o que você escondeu.

Bruno deu um passo para dentro do quarto, as mãos largando os braços.

— E você? O que está escondendo agora? Desapareceu por dias sem uma palavra.

Ela finalmente parou, as mãos pousadas sobre um par de tênis. Virou o rosto apenas o suficiente para que ele visse o perfil cansado.

— Não escondi. Me afastei. É diferente.

— Diferente como?

Marina voltou a arrumar a mala, os cachos escapando do coque frouxo.

— Eu não te devo explicações sobre onde dormi, Bruno. Não mais. Você perdeu esse direito quando deixou outra mulher acreditar que ainda tinha espaço na sua vida.

— Marina...

— Terminou? — Ela fechou a segunda mala e enfrentou o olhar dele. Os olhos azuis estavam secos, mas a boca tremia no canto. — Então termine. Porque eu ainda tenho muito o que arrumar.


Capítulo 19

Marina puxou o zíper da segunda mala com um gesto brusco, os olhos percorrendo o quarto como se já não pertencesse mais ali. Então ela parou, nariz se contraindo.

— Você está fedendo a cigarro. — A voz saiu com um deboche que ela nem tentou disfarçar. — Achei que tinha parado de fumar fazia anos.

Bruno não respondeu. Ela passou por ele, parando na porta da cozinha, os braços cruzados sobre o peito.

— E a pia... — Um sorriso amargo curvou seus lábios. — Deve ter uns seis copos de whisky largados lá. Parece república de estudante, Bruno.

Ele sustentou o olhar dela, sentindo o peso daquelas palavras como pequenas agulhas.

— Isso não tem mais a ver com você.

Marina soltou uma risada curta, voltando para as malas.

— Claro que não. Nada mais tem a ver comigo, não é? — Ela enfiou um último par de tênis na mala lateral. — Mas eu conheço esse cheiro. Conheço essa pia cheia. Já vi esse filme antes.

Bruno passou a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer.

— Você foi embora. O que esperava?

— Que você não desmoronasse por causa de uma mulher que nem queria mais. — Ela fechou a última mala com força. — Mas parece que eu superestimei você.


Capítulo 20

Ela mal havia terminado de falar quando os dedos de Bruno envolveram seu pescoço.

Não com violência. Com possessão.

As costas de Marina bateram na parede do corredor, o impacto surdo ecoando pelo apartamento silencioso. Os olhos dele queimavam — não mais com a névoa do whisky, mas com uma fúria cristalina que ela nunca tinha visto antes.

O polegar pressionava o pulso acelerado em sua garganta.

Marina prendeu a respiração, sentindo cada batida do coração contra a palma áspera dele. As pupilas dilatadas fixas nas dela. O cheiro de cigarro e uísque misturado ao perfume amadeirado que ela conhecia tão bem.

A pergunta veio num sussurro cortante, carregado de algo mais profundo que raiva — medo transformado em acusação.

Onde você estava?

Os dedos apertaram ligeiramente, apenas o suficiente para fazê-la sentir o pulso latejar sob a pele. Ele se aproximou, o corpo bloqueando qualquer rota de fuga, o hálito quente tocando sua testa.

Marina estremeceu — não de medo da mão em seu pescoço.

De reconhecer o homem diante dela. O mesmo que passara semanas afundado em copos vazios e maços amassados. O mesmo que gritara por ela no silêncio deste apartamento enquanto ela desaparecia sem deixar rastros.

Os olhos dele brilharam com umidade contida, as sobrancelhas franzidas numa expressão devastada que contrastava brutalmente com a firmeza dos dedos em sua garganta.


Capítulo 21

— Me solta.

A voz de Marina saiu mais frágil do que ela gostaria, as palavras trêmulas contra a palma que ainda pressionava sua garganta.

Os dedos de Bruno não se mexeram.

— Onde você estava?

Ela tentou se afastar, as costas raspando na parede fria. A mão dele permaneceu no lugar, não apertando mais, mas também não cedendo um milímetro. Ele não ia deixá-la escapar de novo.

— Você não tem nada a ver com o meu destino.

As palavras atingiram Bruno como um soco no estômago. O maxilar dele tensionou, os olhos percorrendo o rosto dela como se lessem algo escondido nas covinhas que ele conhecia de cor.

— Você está mentindo.

Marina desviou o olhar, e aquele pequeno gesto foi o suficiente.

— Você já está com outro.

Não era uma pergunta. Era uma certeza nascendo do inferno que foram as últimas semanas — das noites acordado imaginando onde ela dormia, dos dias bêbados inventando desculpas para não imaginar.

A mão no pescoço dela tremeu.

Marina abriu a boca, mas nenhum som saiu. A hesitação dela foi pior que qualquer confissão. Bruno recuou meio passo, como se levasse um tiro no peito. Os dedos escorregaram lentamente da garganta dela para o ar vazio entre eles.

— NÃO!

O grito explodiu no apartamento silencioso.

Foi um som primitivo — não raiva controlada como antes, mas desespero puro rasgando a garganta dele. Bruno cambaleou para trás, as mãos nos próprios cabelos enquanto repetia mais baixo, quase num sussurro destroçado:

— Não...

Os olhos dele brilhavam com lágrimas que ainda lutavam para não cair. Marina ficou parada contra a parede — livre agora — mas sem saber para onde fugir de um homem que acabava de ruir inteiro diante dela.


Capítulo 22

O estrondo da garrafa contra a porta ecoou pelo apartamento. Estilhaços de vidro voaram pelo chão, manchando a madeira com manchas rubras de vinho que escorriam como sangue.

Marina recuou instintivamente, as mãos trêmulas cobrindo a boca.

— Bruno... por favor... me deixe ir embora em paz.

— Paz?

A risada dele foi amarga, desprovida de qualquer humor. Ele avançou um passo, os sapatos esmagando cacos no caminho.

— Você me deixou aqui apodrecendo por semanas e quer paz?

— Eu só vim buscar minhas coisas — ela tentou manter a voz firme, mas o tremor denunciava seu medo. — Não quero brigar.

Bruno bloqueou a porta com o corpo.

— Não quer brigar? Então me olha nos olhos agora.

Ela hesitou antes de erguer o queixo, os olhos castanhos encontrando os dele. O que viu a fez prender a respiração — não era fúria pura como antes. Era devastação.

— Diz na minha cara — ele sussurrou — que já tem outro.

O silêncio dela foi mais cortante que qualquer vidro espalhado pelo chão.

— Marina...

— Você quer mesmo escutar isso?

— Quero.

Ela respirou fundo:

— Conheci alguém nas semanas que fiquei fora.

As pernas de Bruno fraquejaram quase imperceptivelmente. Ele não disse nada, mas sua expressão desmoronou por completo — mandíbula solta e olhos brilhando úmidos sob a luz fraca do apartamento que um dia foi lar dos dois juntos .


Capítulo 23

— Uma terapeuta.

A voz de Marina saiu baixa, quase um sussurro. Ela desviou o olhar do rosto devastado de Bruno.

— Conheci uma terapeuta de relacionamentos. Ela me ajudou a entender que... eu precisava sair daqui. De você.

Bruno ficou imóvel. O silêncio entre os dois parecia carregar o peso de cada palavra não dita nas últimas semanas.

— Você foi falar de nós com uma estranha? — a voz dele saiu rouca, incrédula.

— Ela não é uma estranha. Ela me escutou quando você não estava mais aqui para me ouvir.

— Eu estava aqui! — Bruno golpeou o próprio peito com a palma da mão. — Eu estava aqui todos os dias, apodrecendo neste apartamento enquanto você decidia se valia a pena voltar!

Marina deu um passo em direção à porta.

— Eu preciso ir embora agora.

Ele não deixou. A mão de Bruno envolveu o braço dela com firmeza — não violenta, mas urgente. Desesperada.

— Não.

— Bruno, me solta...

Ele a puxou para si. Os lábios dele encontraram os dela num beijo carregado de tudo que não conseguia dizer — medo, saudade, raiva, amor machucado.

Ela ficou rígida por um instante. Depois o empurrou, as mãos contra o peito dele.

— Para com isso...

Bruno recuou um passo, os olhos vermelhos.

— Desculpa. Eu só... eu não sei como deixar você ir.

Marina tocou os próprios lábios, ainda sentindo o calor do beijo indesejado.

— Foi isso que a terapeuta me mostrou. Que às vezes a gente confunde amor com prisão. E eu não quero mais ser prisioneira.

Ela pegou a mala, as mãos ainda trêmulas.

— Adeus, Bruno.


Capítulo 24

Os dedos de Marina estavam a centímetros da maçaneta quando Bruno arrancou a mala de sua mão e a atirou para o outro lado da cozinha. O baque surdo ecoou pelo silêncio.

— Você não vai embora.

Ela permaneceu imóvel, os olhos fixos na porta. Não reagiu. Não se moveu.

Bruno contornou o corpo dela até ficar entre Marina e a saída. As mãos dele subiram até o rosto dela, os polegares pressionando as maçãs do rosto sardento com uma urgência que beirava a súplica.

— Olha pra mim.

Marina ergueu os olhos devagar. Ele encontrou um vazio que doeu mais do que qualquer tapa.

— Eu te amo, Marina. Olha pra mim e vê — a voz de Bruno quebrou. — Eu não sou o que essa terapeuta pintou. Eu sou o homem que te deu banho, que secou teu cabelo enquanto te fazia rir. Eu sou o homem que errou e ficou aqui, bebendo água de privada emocional, esperando você voltar.

Ele pausou. Respirou fundo.

— Eu te amo. E você sabe disso.

Os olhos dela continuaram parados sobre os dele. Sem reação. Sem lágrimas. Sem resposta.

Apenas o ruído distante da cidade entrando pela janela entreaberta.


Capítulo 25

A mão de Bruno deslizou do pescoço dela para a nuca, os dedos se enroscando nos fios ruivos com uma posse delicada e desesperada.

— Você ainda é minha — ele sussurrou contra a orelha de Marina, o hálito quente fazendo sua pele se arrepiar. — Mesmo que não queira admitir.

Os lábios dele tocaram a curva do pescoço dela. Um beijo lento, carregado de tudo que não conseguia dizer.

Marina fechou os olhos, odiando a forma como o corpo respondia. Um calafrio traiçoeiro percorreu sua espinha, e ela sentiu os mamilos endurecerem contra o tecido da blusa.

— Bruno… — A voz dela saiu mais fraca do que gostaria.

— Eu conheço esse corpo — ele murmurou, descendo os lábios até a clavícula. — Ele ainda me reconhece.

— Meu corpo é burro — ela rebateu, mas não se afastou. — Minha cabeça não.

Ele ergueu o rosto, os olhos cinzentos encontrando os dela com uma intensidade que fez seu estômago revirar.

— E o que sua cabeça diz agora?

— Diz que você me machucou. Que eu não posso confiar.

— E seu corpo?

Marina engoliu em seco. A mão dele ainda estava em sua nuca, o polegar traçando círculos minúsculos.

— Meu corpo… é um idiota.

Bruno quase sorriu. Quase.

— Então me deixa mostrar que posso ser diferente. Que eu mudei.

— Você não muda em uma semana.

— Mudei no minuto em que você fechou aquela porta. — A voz dele embargou. — Cada gole de uísque, cada cigarro… era você que eu tentava esquecer. Não consegui.

Ela respirou fundo, sentindo o cheiro dele — sabonete, algo amadeirado, e um resquício amargo de fumaça.

— Isso não é suficiente.

— O que é suficiente, então? — Ele afastou uma mecha do rosto dela. — Me diz.

Marina ficou em silêncio. A porta ainda estava atrás dela. A mala estava caída na cozinha. E o coração dela batia tão forte que doía.


Capítulo 26

— Seu corpo me conhece — Bruno murmurou antes de girar Marina contra a parede fria, o impacto arrancando um gemido abafado dela.

Ele puxou a saia para cima com um movimento brusco, os dedos encontrando a renda da calcinha já úmida.

— Não... Bruno, para — a voz dela saiu trêmula, as palmas das mãos apoiadas na parede.

— Para? — ele sussurrou contra sua orelha, dois dedos deslizando sob o tecido molhado. — Então por que você está tão pronta para mim?

Marina fechou os olhos com força, o corpo inteiro tremendo enquanto os dedos dele encontravam seu ponto mais sensível. Um gemido escapou, traindo cada palavra que sua boca tentava formar.

— Isso não... não significa nada...

— Significa que você ainda é minha — Bruno pressionou o quadril contra ela, a ereção evidente contra sua bunda. — Diz que quer que eu pare.

Ela abriu a boca, mas o que saiu foi outro gemido baixo quando os dedos dele começaram um movimento circular, provocando-a sem pressa.

— Eu... eu não consigo...

— Eu sei, meu amor. Eu sei.

Os dedos dele afundaram mais, arrancando um soluço de prazer contido. A testa de Marina encostou na parede gelada enquanto seu corpo finalmente cedia, empurrando-se contra a mão dele em um pedido silencioso.


Capítulo 27

— Você ainda duvida? — Bruno sussurrou contra a nuca de Marina enquanto seus dedos trabalhavam dentro dela, ritmados e precisos. — Seu corpo implora por mim.

Ela mordeu o lábio para conter outro gemido, mas falhou miseravelmente quando ele retirou os dedos apenas para mergulhar a língua onde eles estavam momentos antes. Bruno se ajoelhou atrás dela, as mãos firmes separando suas nádegas enquanto sua boca devorava aquela boceta molhada com uma fome quase violenta.

— Bruno... por favor... — Marina arqueou as costas involuntariamente, empurrando-se contra o rosto dele.

Ele lambeu mais fundo, língua alternando entre o sexo encharcado e a entrada proibida logo acima. Quando finalmente se ergueu novamente atrás dela, seu pau pulsava contra a bunda macia de Marina.

— Você vai me dar tudo hoje — ele rosnou baixo, cuspindo na própria mão para lubrificar a ereção antes de posicionar a ponta contra aquela rosa apertada. — Tudo.

A penetração foi lenta e deliberada, cada centímetro arrancando um gemido mais agudo de Marina enquanto ela se agarrava à parede fria como se fosse sua única âncora na realidade.

— Olha como você me aceita inteiro — Bruno gemeu quando finalmente afundou até a base dentro dela.

— É... demais... — ela soluçou, mas seu quadril já se movia para trás buscando mais profundidade ainda maior daquela invasão brutalmente íntima.

Bruno começou um vaivém cadenciado que logo se tornou urgente e descontrolado. Sua mão deslizou para frente encontrando o clitóris duro de Marina enquanto ele fodia seu cu sem piedade alguma.

— Goza pra mim agora — ordenou entre dentes cerrados enquanto sentia as paredes internas dela se contraírem em espasmos incontroláveis ao redor do seu pau latejante .

Marina gritou algo incompreensível quando veio com força total , as pernas falhando sob ela enquanto Bruno jorrava quente lá no fundo , preenchendo-a completamente enquanto murmurava possessivamente contra sua orelha:

— Minha . Pra sempre minha .